Ihosvany Camps, ou simplesmente Camps (como insiste em ser
chamado), nasceu em Havana, Cuba, onde se graduou e concluiu
o mestrado em Física pela Faculdade de Física da Universidade
de Havana. Atravessou o Atlântico em direção ao Brasil para
realizar o doutorado no Instituto de Física da Universidade
Federal Fluminense, em Niterói, Rio de Janeiro — cidade que,
como ele mesmo admite, tornou a transição consideravelmente
mais fácil do que deveria.
Em agosto de 2006, ingressou como professor efetivo na
Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG), onde
construiu, ao longo de vinte anos, uma carreira que combina o
rigor da pesquisa em modelagem computacional com um
compromisso genuíno com a formação de pesquisadores. Hoje
ocupa o cargo de Professor Titular do Departamento de Física
da mesma instituição — o que, nas palavras de quem o conhece,
diz menos sobre títulos e mais sobre teimosia produtiva.
Sua escrita reflete essa trajetória híbrida: formado em uma
tradição científica rigorosa, atravessado por culturas e línguas
diferentes, e temperado por duas décadas de sala de aula,
orientações e conversas de corredor. É essa combinação — o
físico que lê filosofia, o cubano que se tornou professor no
interior de Minas Gerais, o pesquisador que se preocupa tanto
com o humano quanto com o método — que torna sua voz única
neste livro. Ele escreve sobre a academia de dentro dela, sem a
distância confortável do observador externo, mas também sem a
resignação de quem parou de acreditar que as coisas podem ser
diferentes.
Os leitores que quiserem continuar a conversa — sobre ciência,
sobre orientação, sobre lobsters ou sobre pimenta calabresa —
podem encontrá-lo na UNIFAL-MG, provavelmente entre uma
aula e uma reunião de departamento, exatamente no tipo de
corredor que inspirou este livro.