
Sou Hugo Bustilho, escritor de horror cósmico nascido em São Bernardo do Campo em 1981 e hoje vivendo em Santo André, no ABC Paulista, e é desse chão que nasce grande parte da minha ficção. Sou autor de Nas Profundezas, Eles Murmuram e Sete Além: Ecos no Litoral, além de criador do universo CTHULHU: Ecos de R'lyeh, projeto transmídia que se desdobra em jogo de tabuleiro, livro e contos. Também assino a série Ecos em Santo André, o livro O Amigo Invisível e os contos O Coral da Maré, O Despertar de Yug-goo, Sob a Neblina da Serra, O Sussurro das Estantes, O Sussurro da Lousa, O Eco dos Trilhos e Entre as Pálpebras.
Minha obra transita entre o horror cósmico, a mitologia e a reinterpretação contemporânea dos Mitos de H. P. Lovecraft. O que me move como escritor não é o sobrenatural pelo sobrenatural, mas a fronteira tênue entre o familiar e o abismo, a sensação de que o mundo conhecido é apenas uma fina camada sobre coisas muito mais antigas.
É por isso que tantos dos meus contos acontecem em escolas do ABC Paulista. Corredores, lousas, estantes, salas de aula, espaços que todo mundo conhece, onde a rotina parece segura. É ali que gosto de insinuar o colapso. O horror que escrevo não espera em templos perdidos ou ruínas submersas, espera no sinal que anuncia o intervalo, no olhar vazio de um colega de classe, no sussurro que vem de dentro do armário da sala dos professores. O ordinário rachando, e o ABC nunca mais sendo o mesmo depois de fechar o livro.

Há lugares que não são apenas cenário. São personagem. E Santo André, com seus parques, avenidas e serra, é uma cidade que aprende, observa e, um dia, passa a chamar pelo seu nome. Três narrativas partem do mesmo ponto: o familiar é apenas uma máscara. Em As Vozes do Parque, um corredor percebe que rostos conhecidos somem quando pisca — e algo, entre as árvores, aprende a repetir sua voz, seus g
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Narrado em primeira pessoa pelo neto, o conto reconstrói o relato que o avô Manoel lhe confiou numa noite, na garagem de sua casa em Santo André. Em 1952, aos vinte anos, Manoel, filho mais novo de Mathias e Dolores e quase um empregado da própria família, participa da comitiva que sai do sítio em Tupã, no interior de São Paulo, para buscar três bois fugidos na mata. Durante uma semana, a comitiva
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thulhu e Outros Contos Infantis é uma coletânea de 16 contos de horror cósmico adaptados ao público infantil, em que o universo de H.P. Lovecraft é reinterpretado com doçura, humor e afeto. Cada história apresenta um dos grandes Mitos — Cthulhu, Yog-Sothoth, Hastur, Nyarlathotep, Shub-Niggurath, Dagon e outros — transformado em um guardião adorável e acolhedor, protagonista de uma narrativa curta
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Há histórias que uma família só conta uma vez. E há as que jamais deveriam ser contadas. Nunca conheceu o avô materno. Roberto partiu cedo, quando a mãe ainda era adolescente, e levou consigo todas as histórias que um avô contaria ao neto. Tudo o que Hugo sabe dele veio de uma única noite, quando Edna, já aos 65 anos, entregou o relato como quem passa adiante um objeto pesado demais para carregar
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Três relatos, uma única fonte, e o mesmo silêncio que permanece. O Lobisomem do Calux, O Sal e O Cheiro de Enxofre atravessam o ABC paulista e o interior do Paraná, entre 1940 e 1987: o homem que ninguém viu comer, o cão grande demais para a porta por onde deveria ter entrado, e o moço bonito que dançou a noite inteira para depois sumir deixando enxofre no ar. Algo entrou, e ninguém soube o que o
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No sertão de Ipubi e Monteiro, o impossível não anuncia a chegada. Ele se cobre com o que você reconhece — ou o chama para a água. Neste volume da série Vozes da Hora Morta, dois causos atravessam sete décadas de memória oral para revelar as duas maneiras pelas quais o desconhecido se aproxima do homem: a mecânica do véu e a conduta da batedora. Na noite de São João, uma moça de cabelos amarelos
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À meia-noite, o sertão fala. E o que ele diz não deve ser ouvido de frente. Neste volume da série Vozes da Hora Morta, três causos atravessam três gerações de memória oral para revelar a natureza pactual, obsessiva e territorial das riquezas enterradas na caatinga — onde a terra não é apenas solo fértil ou árido, mas entidade guardiã e cobradora. Na botija que não quis sair, uma mulher cava à me
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