
Gil Del Carmo é artista visual, pesquisador, produtor e gestor cultural brasileiro, com mais de vinte anos de atuação contínua no campo da cultura, da arte e do patrimônio. Sua trajetória é marcada pelo trânsito entre criação artística, pesquisa acadêmica, políticas culturais e trabalho direto com territórios e comunidades tradicionais, especialmente na Costa Verde do Rio de Janeiro.
Formado em Belas Artes pela UFRRJ, com ênfase em culturas indígenas e arte marajoara, Gil construiu uma sólida base estética e teórica que atravessa o desenho, a ilustração, a xilogravura, o cartaz de cinema e a direção de arte. Ao longo de sua carreira, desenvolveu um olhar crítico sobre a história da arte brasileira, priorizando recortes afroindígenas, diaspóricos e contra-hegemônicos, afastando-se deliberadamente de leituras eurocentradas.
No campo acadêmico, é mestre em Patrimônio, Cultura e Sociedade (UFRRJ), com pesquisa dedicada ao grafismo marajoara e aos processos de ressemantização afroindígena em comunidades tradicionais de matriz africana, especialmente no Ilê da Oxum Apará. Seus estudos dialogam com autores como Lélia Gonzalez, Kabengele Munanga, Stuart Hall, Frantz Fanon, Molefi Kete Asante e Mario Chagas, articulando patrimônio, memória, identidade, ancestralidade e política cultural. Atualmente, desenvolve reflexões que ampliam esse debate para temas como patrimônio bioancestral, oriki genético e tecnologias da memória.
Paralelamente à pesquisa, Gil atua intensamente na gestão pública da cultura. Foi coordenador de cursos, assessor de patrimônio, assessor de artes integradas e assessor de exposições, tendo realizado a curadoria de mais de cem exposições. Atualmente, é Diretor de Cultura da Fundação Mário Peixoto, onde atua na formulação e implementação de políticas culturais, elaboração de editais, planos municipais, programas educativos e ações alinhadas às diretrizes do IBRAM, IPHAN, PNEM e às políticas nacionais de cultura. Possui ampla experiência na execução da Lei Aldir Blanc e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).
Como produtor cultural e executivo, à frente da Zóio da Arte Produções, desenvolve projetos de identidade visual, comunicação, produção de eventos e gestão de projetos culturais. Atua também em redes e fóruns culturais, sendo Secretário-Geral da Academia Mangaratibense de Letras e Artes (AMLA) e integrante da diretoria do Fórum Permanente de Cultura da Costa Verde.
Sua produção autoral transita entre literatura, artes visuais e narrativa especulativa. É autor de obras que dialogam com ficção científica afrodiaspórica, memória, infância, ancestralidade e futuros possíveis, utilizando a arte como ferramenta de reflexão política e existencial. Seu trabalho busca tensionar os limites entre tradição e tecnologia, passado e futuro, território e cosmos.
Gil Del Carmo constrói sua trajetória a partir do encontro entre arte, pesquisa e compromisso social, entendendo a cultura não apenas como expressão simbólica, mas como campo de disputa, reparação histórica e construção de futuros mais plurais.

Grafismo Marajoara: Ressemantização Afroindígena no Ilê da Oxum Apará é uma obra que investiga os caminhos históricos, simbólicos e políticos do grafismo marajoara a partir de uma perspectiva afroindígena, situada no território vivo de uma comunidade tradicional de matriz africana no estado do Rio de Janeiro. Partindo da cerâmica marajoara como patrimônio arqueológico amplamente apropriado pelo d
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