
Sou Deivede Eder Ferreira, psicanalista, escritor e fundador da ABRAFP – Associação Brasileira de Filosofia e Psicanálise. Minha produção intelectual se desenvolve no encontro entre psicanálise, filosofia e clínica contemporânea, com foco na escuta do sofrimento psíquico, da repetição inconsciente e das formas silenciosas pelas quais o sujeito se relaciona com o desejo, o sintoma e o mal-estar.
Atuo há anos na formação em psicanálise, desenvolvendo conteúdos teóricos, clínicos e autorais que buscam preservar o rigor conceitual freudiano sem perder de vista a complexidade da experiência humana concreta. Minha escrita não se orienta por promessas terapêuticas ou soluções rápidas, mas pela ética da escuta — especialmente nos pontos em que a palavra falha, o sintoma insiste e o sujeito se aproxima do limite.
Sou autor da teoria Does the Unconscious Desire Determine the Way We Die?: The New Theory of Phantasmatic Death (2025), formulada no campo da psicanálise contemporânea e publicada originalmente em língua inglesa. Nessa contribuição teórica inédita, proponho que o desejo inconsciente não determina quando morremos, mas pode influenciar de modo decisivo a forma simbólica pela qual cada sujeito se aproxima da morte — seus roteiros de risco, suas repetições, sua estética de desaparecimento e sua maneira singular de se expor ao perigo, à dissolução ou ao apagamento.
A teoria da Phantasmatic Death sustenta que todo sujeito carrega uma assinatura inconsciente da morte, construída a partir de fantasias infantis, feridas relacionais, padrões de repetição e da posição que ocupa no olhar do Outro. Alguns sujeitos tendem a desaparecer sem deixar rastros; outros encenam simbolicamente sua própria queda; alguns buscam ser idealizados ou lamentados; outros se retiram antes mesmo de serem vistos. Essas formas não determinam o fim biológico, mas organizam o modo como o sujeito se aproxima do risco, do limite e da finitude.
Por meio de vinhetas clínicas, mitos culturais e da figura simbólica do Ouroboros, a teoria oferece uma nova chave de leitura para compreender padrões inconscientes relacionados à autossabotagem, às adições, à compulsão à repetição, aos colapsos psicossomáticos, às formas indiretas de autodestruição e aos modos de desaparecimento social, emocional e relacional.
Além de sua contribuição teórica, trata-se também de uma ferramenta clínica, ampliando o campo da escuta psicanalítica e propondo um novo eixo de atenção para casos complexos, como funcionamento borderline, comportamentos de risco, pacientes que abandonam o laço analítico ou que repetidamente se colocam à beira do desaparecimento. A teoria reintegra a morte ao campo da clínica como elemento estrutural do desejo, retomando e expandindo uma intuição central já presente na obra de Freud.
Meus livros dialogam com esses temas, transitando entre psicanálise, filosofia, crítica cultural e reflexão clínica, sempre orientados pela convicção de que a palavra não serve para apagar o real, mas para permitir que ele seja escutado. Escrevo para aqueles que sentem que algo insiste em doer — e desejam pensar isso com seriedade, profundidade e ética.