
Sentir, pensar, agir: três verbos que, antes de serem método, foram bússola. Eles definem o cerne das perguntas que me empurraram para um caminho que não reconhece fronteiras disciplinares. Minha jornada começou nas Ciências Biológicas da Universidade de São Paulo, mas logo se tornou evidente que a experiência humana — e a própria vida — não cabiam em compartimentos estanques. Busquei então outras peças desse organismo maior: a exatidão da Física, a abstração da Matemática, a profundidade das Letras e da Filosofia, analítica, fenomenológica, em que também me formei. Foi nesse entrelugar, nesse ponto de confluência entre mundos que raramente se tocam, que meu trabalho encontrou solo fértil.
Como naturalista, neurobiólogo, fisiopatologista, psicofarmacologista e pesquisador de sistemas complexos e dinâmicas não lineares, assumi um compromisso que é, antes de tudo, um gesto de reverência: traduzir a linguagem do cérebro em algo que não seja apenas cientificamente rigoroso, mas que fale diretamente à experiência de estar vivo. Trabalho onde a vida se mostra mais indomável: na zona em que o cálculo falha, onde a geometria se curva, onde o ruído revela estrutura. Ali, entre o que sentimos, o que pensamos e o que fazemos, procuro uma matemática capaz de honrar a vitalidade.

Este ensaio científico-filosófico parte de uma premissa incômoda: o sapiens talvez não fosse a espécie destinada a persistir. Não como provocação, mas como conclusão apoiada em evidências pouco examinadas. A tese distingue eficácia, nossa capacidade de inovar, de efetividade, medida pela sobrevivência no tempo profundo. Sob esse critério, o erectus, que viveu quase dois milhões de anos em equilíbr
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Como moléculas, invisíveis a olho nu, podem dissolver a fronteira entre o "eu" e o mundo? Como a matéria se torna mente, e como a mente pode ser reconfigurada pela matéria? Estas perguntas atravessam rituais ancestrais e laboratórios de ponta, e estão no centro de um dos campos mais fascinantes da biologia contemporânea. Este livro não é um tratado de farmacologia nem um manual de neurociências.
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Este livro oferece um estudo abrangente e rigoroso dos mecanismos moleculares da (neuro)psicofarmacologia, estruturado sob uma ótica inovadora: a classificação por mecanismo de ação, em vez da tradicional classificação por indicação terapêutica. Assim, o objetivo desta obra é ser referência e fornecer ao leitor uma compreensão profunda de como os psicofármacos funcionam no nível molecular. Sua ab
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Em 1865, um monge agostiniano leu diante de uma sociedade provinciana de naturalistas em Brünn os resultados de oito anos cruzando ervilhas no jardim do mosteiro. O texto caiu no silêncio, foi redescoberto trinta e cinco anos depois por três homens de rigor desigual, e tornou-se o alicerce sobre o qual Fisher, Haldane e Wright ergueriam a genética de populações, sem o qual o próprio programa darwi
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Em junho de 1854, Bernhard Riemann apresentou diante da Universidade de Göttingen uma preleção que não esperava ver escolhida. Havia preparado três temas; Gauss, que presidia a banca, optou pelo menos provável: os fundamentos da geometria. O que Riemann leu naquela tarde dissolveria dois mil anos de certeza euclidiana e abriria o espaço conceitual de que Einstein precisaria, sessenta anos depois,
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