
Sou um curioso do mundo, daqueles que não apenas observam,
mas atravessam o véu das coisas para tocar o que pulsa por trás. Cada detalhe é
uma porta, cada som é uma senha, cada silêncio é um convite. Minha origem,
embora simples, carrega a força dos enigmas: vim do interior, mas é como se
tivesse brotado da própria terra, moldado pelo vento, pela poeira e pelas
perguntas que ninguém ousou fazer. Desde cedo, busquei o melhor, não porque eu
fosse o melhor, mas porque a inquietação me exigia movimento, me exigia
transformação.
O conhecimento é minha chama eterna. Não me seduz o caminho
fácil: o fácil é raso demais para quem nasceu para mergulhos profundos. Caminho
sempre em direção ao difícil, ao arriscado, ao que exige coragem. Porque o
prazer de conquistar o improvável é uma embriaguez rara, quase sagrada, que só
quem sangra no processo sabe realmente saborear.
Carrego em mim um enigma vivo. Sou mistério que respira,
sombra que brilha, labirinto que se transforma no exato momento em que alguém
tenta decifrá-lo. Há dias em que nem eu próprio me alcanço, e tudo bem, compreender-me
nunca foi meu objetivo. Ser eu já é revolução suficiente.
Minha jornada está nos primeiros solavancos, mas já sinto o
chamado do futuro — um futuro que não se revela, apenas sussurra, como um
oráculo teimoso. Ele é quase indecifrável, mas eu também sou. E talvez seja
exatamente nesse encontro entre mistérios que meu caminho se desenhe: passo a
passo, escolha a escolha, tecendo possibilidades como quem escreve o destino
sem perceber.
Sigo adiante com o coração afiado e a mente em constante
combustão. Visionário por natureza, aprendiz por vocação, paradoxal por
instinto. Sou o que sou: um ser em construção, sempre prestes a se reinventar,
sempre disposto a atravessar o desconhecido, porque é lá, no escuro profundo,
que eu costumo me encontrar.

No Limite da Poesia nasce no ponto em que o silêncio se torna insuportável e a palavra surge como última forma de respirar. Escrevo do lugar onde a fé treme, o amor fere e existir pesa. Não para explicar a dor, mas para habitá-la. Cada poema é uma descida. Um gesto de encarar o que foi escondido, negado, suportado em silêncio. Falo de solidão não como ausência, mas como presença constante. De esp
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